Livraria Cultura: guardarei boas lembranças

Boas lembranças na noite de autógrafos da livraria Cultura

Só posso engrossar a lista de saudosismo que a livraria Cultura deixará em minha lembrança.

Passear na sua megaloja do Conjunto Nacional era um refúgio para eu esperar passar a hora do rush na volta da avenida Paulista para minha casa, reforçado pela área fora da megaloja, no amplo espaço livre do térreo do prédio, onde também era comum haver exposição de obras de arte, fotos e até carros antigos e de corrida.

Mas revirando as mais de 1.000 fotos impressas que estou digitalizando, encontrei essas da noite de autógrafos de minha primeira e única publicação até o momento, em uma de suas lojas do mesmo Conjunto Nacional, ao lado da megaloja.

A Cultura fechou o ciclo de outras livrarias pequenas

Sua escala e rede de lojas certamente ajudou a fechar as portas de livrarias menores independentes, tais como no filme Mens@gem para você, numa repetição de mais uma atuação da dupla Meg Ryan e Tom Hanks. Sua megaloja foi uma inovação pelo seu gigantismo: basta citar que o espaço ocupava as instalações do então cine Astor (https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/10/conheca-a-historia-do-cinema-do-conjunto-nacional.shtml) do Conjunto Nacional, um dos mais tradicionais edifícios da Avenida Paulista. O dragão pendurado nas fotos dava imponência e dimensão de seu porte. O modelo de megalojas foi instalado em vários shoppings, unindo o autoatendimento com entretenimento pela ampla possibilidade do ‘test drive’ de leitura dos livros antes de sua aquisição em amplos e confortáveis espaços.

Nas vendas on-line, ela se tornou uma ‘livraria pequena’ com o custo de pontos físicos

Ela e seus concorrentes, tais como a livraria Saraiva, que também possuía sua ampla rede de lojas e megalojas em pontos na rua ou em shoppings, conseguiram evoluir seu modelo de negócios para venda também pela internet. Mas custos na manutenção de pontos fixos e redução no fluxo de clientes não foram compensados pelas suas vendas on-line, onde dividiram vendas com competidores que tornaram a própria Cultura e Saraiva em ‘livrarias pequenas’, se comparadas com a Amazon, Mercado Livre e demais Market Places, por exemplo, afinal, na mesma venda é possível comprar não só livros, mas aparelhos eletrônicos ou domésticos, móveis, itens para veículos, numa ilimitada comodidade ao cliente nesses concorrentes.

Livraria Cultura não era só o térreo do Conjunto Nacional

Para publicar um livro de baixa tiragem, que era o meu caso, contratei uma editora que possuía uma parceria com a livraria Cultura para divulgação, venda on-line e noite de autógrafos. Daí tive acesso ao quarto andar em um de seus escritórios no próprio Conjunto Nacional para formalizar essa contratação. Lembro serem escritórios em mais de um andar, afinal, ela era um colosso no mercado nacional de livros. Acho que nem existia ainda a megaloja, não me recordo direito. Já essa loja da foto, ficava em frente à entrada lateral do que seria ou já era a megaloja. Ficava também em frente dos ‘orelhões’, ao da escada ‘caracol’ do prédio. Não faço ideia com que o espaço é ocupado atualmente.

Constantes mudanças

Cultura, Saraiva, orelhões, publicar livro físico, fotos impressas, tudo vai virando relíquia e só lembranças do passado. Até onde li, a Saraiva caminha dentro de sua recuperação judicial, onde a Cultura não teve sucesso: sua falência foi decretada, ainda cabendo recurso, mas com sua megaloja esvaziada conforme fotos veiculadas na internet, ao menos o espaço físico tende a ser agora definitivamente página virada.

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