{"id":496,"date":"2018-07-20T09:28:09","date_gmt":"2018-07-20T12:28:09","guid":{"rendered":"http:\/\/b3bee.com.br\/site\/?p=496"},"modified":"2021-12-28T18:37:07","modified_gmt":"2021-12-28T21:37:07","slug":"resolucao-4-557-gerenciamento-de-riscos-melhoria-continua-e-iso-31000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/2018\/07\/20\/resolucao-4-557-gerenciamento-de-riscos-melhoria-continua-e-iso-31000\/","title":{"rendered":"Resolu\u00e7\u00e3o 4.557-Gerenciamento de riscos, melhoria cont\u00ednua e ISO 31000"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-497\" src=\"http:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre.png\" alt=\"\" width=\"872\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre.png 872w, https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre-300x120.png 300w, https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre-768x306.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 872px) 100vw, 872px\" \/><\/p>\n<p>Sua organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem praticado algum n\u00edvel de gest\u00e3o de risco? Em maior ou menor n\u00edvel, de forma estruturada ou intuitiva, provavelmente j\u00e1 se pratica. Sen\u00e3o no todo, talvez em parte, ou ainda de forma segmentada e estanque dentro da organiza\u00e7\u00e3o. Administrar \u00e9 organizar recursos limitados para atingir determinados objetivos. Planejar \u00e9 a primeira etapa para criar essa organiza\u00e7\u00e3o. Como planejar o futuro sempre embute incertezas, ao consider\u00e1-las, sempre haver\u00e1 elementos m\u00ednimos de uma gest\u00e3o de riscos. Pode faltar metodologia, processo, aprofundamento de an\u00e1lise e documenta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o est\u00edmulo dado pela resolu\u00e7\u00e3o para formaliza-lo num processo.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o de riscos como resultado de melhoria cont\u00ednua <\/strong><\/p>\n<p>No artigo 7\u00ba dessa resolu\u00e7\u00e3o, versando sobre a estrutura de gerenciamento de riscos \u201c&#8230;III &#8211; sistemas, rotinas e procedimentos para o gerenciamento de riscos; IV &#8211; avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica da adequa\u00e7\u00e3o dos sistemas, rotinas e procedimentos de que trata o inciso III; \u201c, a avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do pr\u00f3prio processo de gerenciamento de risco remete \u00e0 possibilidade e necessidade de v\u00e1rios ciclos de melhoria cont\u00ednua, al\u00e9m de reconhecer a enorme diversidade entre institui\u00e7\u00f5es nos incisos do artigo 2\u00ba.<\/p>\n<p>Seguindo a numera\u00e7\u00e3o da figura anterior, numa simplificada analogia com o futebol, onde seus resultados s\u00e3o compara\u00e7\u00f5es de desempenho entre advers\u00e1rios em constante busca de melhoria e supera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>1-Uma fase de estudos do hist\u00f3rico de desempenho (pr\u00f3prio e do advers\u00e1rio), treinar jogadas ensaiadas e combinar posicionamento t\u00e1tico, prever cen\u00e1rios tanto no ataque como defesa, bem efeitos da torcida (contra ou a favor), condi\u00e7\u00f5es do gramado, tempo e temperatura no dia do jogo.<\/p>\n<p>2- Mas, como diria Man\u00e9 Garrincha: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 combinou isso com o advers\u00e1rio\u201d? Durante a din\u00e2mica do jogo, pode haver necessidade de readequa\u00e7\u00e3o num n\u00edvel menor, tal como um capit\u00e3o do time orientar seus companheiros em campo por iniciativa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>3-No entanto, muitas vezes inserido dentro da execu\u00e7\u00e3o e sem a vis\u00e3o global do jogo, o capit\u00e3o do time n\u00e3o percebe ou n\u00e3o tem autonomia de uma mudan\u00e7a de maior porte. O t\u00e9cnico \u00e0 beira do campo, tendo essa vis\u00e3o de conjunto de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o entre as equipes, tem a autoridade e a responsabilidade de promover quaisquer mudan\u00e7as necess\u00e1rias para atingir seus objetivos na partida.<\/p>\n<p>4-Preventivamente, o t\u00e9cnico tamb\u00e9m deve promover mudan\u00e7as necess\u00e1rias, percebendo vulnerabilidades ANTES que se materializem, tais como sofrer gols de contra-ataque. O advers\u00e1rio tamb\u00e9m estar\u00e1 buscando seu objetivo. No final, o que vale \u00e9 o saldo l\u00edquido da quantidade de gols (5).<\/p>\n<p><strong>ISO 31000 para escala\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Se aplic\u00e1ssemos as etapas da ISO 31000 (uma norma internacional para gest\u00e3o de riscos) na prepara\u00e7\u00e3o para um jogo, alguns elementos seriam:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-498\" src=\"http:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre_2.png\" alt=\"\" width=\"906\" height=\"147\" srcset=\"https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre_2.png 906w, https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre_2-300x49.png 300w, https:\/\/www.b3bee.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/24-PDCAsempre_2-768x125.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 906px) 100vw, 906px\" \/><\/p>\n<p>1-Definir objetivos em diferentes contextos: O objetivo de todo jogador \u00e9 a vit\u00f3ria. O objetivo coletivo \u00e9 n\u00e3o perder pontos naquele jogo espec\u00edfico, por conta de desfalques, do jogo ser em campo com a torcida advers\u00e1ria, da qualidade do time advers\u00e1rio, da vantagem de gols num jogo anterior numa disputa mata-mata ou ainda por ter vantagem num campeonato em pontos corridos. Caber\u00e1 ao treinador escalar seu time conforme seu objetivo maior, centrado no longo prazo, por mais que o objetivo individual de cada jogador fosse ganhar a partida. Afinal, o advers\u00e1rio n\u00e3o combinou perder a partida e trar\u00e1 novas vari\u00e1veis inesperadas durante a partida.<\/p>\n<p>2-Identificar riscos e cen\u00e1rios adversos que desviem poss\u00edveis resultados dos objetivos na partida: contus\u00f5es, hist\u00f3rico e habilidade t\u00e9cnica de seu time e do advers\u00e1rio, press\u00f5es externas ao campo, entre outros.<\/p>\n<p>3-Analisar desempenho passado de seu time e do advers\u00e1rio por meio de dados e imagens de lances que confirmem ou que derrubem as hip\u00f3teses levantadas na etapa de identifica\u00e7\u00e3o, exigindo uma revis\u00e3o.<\/p>\n<p>4-Avaliar suas mensura\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao apetite por risco, diretamente relacionado com os objetivos tra\u00e7ados na etapa 1. Se o objetivo for vencer a qualquer custo, escalar o time no ataque \u00e9 um risco proporcional necess\u00e1rio. Se empatar ou n\u00e3o perder por muitos gols e at\u00e9 conseguir gols em contra-ataque for o objetivo, pode levar a uma escala\u00e7\u00e3o um pouco menos arrojada de defesa com contra-ataques.<\/p>\n<p>5-Tratar os riscos conforme avalia\u00e7\u00e3o na etapa anterior: por meio de mudan\u00e7as na escala\u00e7\u00e3o, detalhando e explicando aos jogadores os motivos da escala\u00e7\u00e3o definida e esquema t\u00e1tico esperado.<\/p>\n<p>6-Monitorar se as decis\u00f5es foram adequadas durante o treinamento: alguns jogadores podem n\u00e3o estar na melhor condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, falta de entrosamento e simplesmente a pr\u00e1tica n\u00e3o corresponder \u00e0 teoria, retornando \u00e0 etapa 2 e realimentando com novas informa\u00e7\u00f5es num processo de melhoria cont\u00ednua.<\/p>\n<p><strong>ISO 31000 durante a partida<\/strong><\/p>\n<p>Com o in\u00edcio do jogo, o desempenho dos atletas e o comportamento coletivo s\u00e3o novas informa\u00e7\u00f5es que definir\u00e3o se as decis\u00f5es do treinamento foram adequadas ou se h\u00e1 novas vari\u00e1veis. Se necess\u00e1rio, o t\u00e9cnico preventivamente providencia substitui\u00e7\u00f5es ou mudan\u00e7as t\u00e1ticas, ao inv\u00e9s de aguardar tomar gols e com um placar adverso ser obrigado a fazer altera\u00e7\u00f5es reativas de \u00faltima hora. Assim, o ciclo identifica\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, avalia\u00e7\u00e3o, tratamento e monitoramento se repetir\u00e1, mas de uma forma muito mais r\u00e1pida e din\u00e2mica que o treinamento. J\u00e1 estabelecer objetivos tende a ser mais perene que as demais etapas, mas igualmente mut\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Atividades de controle s\u00f3 existem por considerar riscos<\/strong><\/p>\n<p>As \u00e1reas operacionais podem ter a percep\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de risco ser mais uma obriga\u00e7\u00e3o de reporte, al\u00e9m de controles internos, <em>compliance<\/em> e auditoria com quem j\u00e1 se interagem. Na verdade, a gest\u00e3o de risco j\u00e1 \u00e9 praticada pelas \u00e1reas de neg\u00f3cio, desde o momento em que s\u00e3o adotados controles para evitar riscos de n\u00e3o execu\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o atingimento de seus objetivos departamentais, conforme argumentado no evento da ENAP, j\u00e1 citado em <a href=\"http:\/\/b3bee.com.br\/site\/2018\/01\/11\/resolucao-4-557-gestao-de-riscos-no-banco-central\/\">artigo anterior<\/a>.<\/p>\n<p>Ao documentar os processos operacionais, que geram valor aos clientes da organiza\u00e7\u00e3o, elementos de gest\u00e3o de riscos j\u00e1 devem estar presentes. Dependendo do est\u00e1gio de maturidade em controles internos, boa parte desse material j\u00e1 pode estar dispon\u00edvel. Mas diferente da \u00f3tica de efici\u00eancia operacional, a gest\u00e3o de riscos deve visualizar processos departamentais integrados na forma de cadeia de valor e considerar riscos estrat\u00e9gicos e combinados sob \u00f3tica de efic\u00e1cia corporativa. A import\u00e2ncia de conhecer sua cadeia de valor \u00e9 da mitiga\u00e7\u00e3o de riscos, mesmo os n\u00e3o operacionais, terem grande probabilidade de afetarem ajustes nos seus processos, sejam operacionais, sejam administrativos ou de apoio e controle.<\/p>\n<p><strong>Gerenciamento de riscos como mais um prisma de uma boa administra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 faz sentido caso atenda os objetivos de seus <em>stakeholders<\/em>, sem o qual n\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo para que ela continue existindo. O gerenciamento de riscos \u00e9 uma das v\u00e1rias faces de uma boa administra\u00e7\u00e3o, e essa pode ser uma evolu\u00e7\u00e3o combinada com outras metodologias, ferramentas e conceitos, que al\u00e9m da norma ISO 31000, citamos Cadeia de Valor, Linhas de Defesa, COSO, SWOT, BSC, Diagrama de Ishikawa ou \u2018Espinha de Peixe\u2019, entre outros, sem possibilidade de esgotarmos esses assuntos num \u00fanico artigo. O sucesso da gest\u00e3o de riscos n\u00e3o passa por apenas uma metodologia e sim pela combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias, adequadas \u00e0 cultura, modelo de neg\u00f3cios, porte e est\u00e1gio de maturidade j\u00e1 existente na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Melhoria cont\u00ednua \u00e9 uma rampa e n\u00e3o uma escada de altos degraus<\/strong><\/p>\n<p>Antes de substituir de forma radical no estilo reengenharia, o gerenciamento de riscos deve ser avaliado como um agregador evolutivo em cada estrutura e cultura administrativa, integrando suas metodologias, ferramentas, capital intelectual e recursos tecnol\u00f3gicos j\u00e1 existentes para apoiar um processo integrado de tomada de decis\u00f5es que de alguma forma j\u00e1 \u00e9 feito dentro da organiza\u00e7\u00e3o, e bem ou mal, \u00e9 a forma atual em que se confia. Melhoria cont\u00ednua est\u00e1 mais para uma rampa com melhorias, \u00e0s vezes pequenas, mas constantes, do que uma escada com degraus muito altos com mudan\u00e7as radicais. Est\u00e1 baseada nos benef\u00edcios da curva de aprendizagem, manuten\u00e7\u00e3o dos pontos positivos e substitui\u00e7\u00e3o organizada e planejada dos pontos negativos e cont\u00ednuo monitoramento. O gerenciamento de riscos \u00e9 mais um processo de apoio na busca de melhorias corporativas, adequando-se \u00e0s m\u00e9tricas, forma de trabalho e velocidade de evolu\u00e7\u00e3o dos principais processos operacionais que \u2018entregam valor aos clientes\u2019, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Convido a fazerem as devidas analogias do jogo de futebol e quem faz o papel do t\u00e9cnico e jogadores no mundo corporativo, e encerro citando M\u00e1rio S\u00e9rgio Cortella, \u201cFa\u00e7a o teu melhor, na condi\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem, enquanto voc\u00ea n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es melhores, para fazer melhor ainda\u201d, que vale tanto para nossa vida pessoal como para a vida corporativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um bom fim de semana a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Yoshio Hada<\/p>\n<p>Fontes<\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o 4.557\/17 \u2013 Gerenciamento integrado de riscos<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.bcb.gov.br\/pre\/normativos\/busca\/normativo.asp?numero=4557&amp;tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o&amp;data=23\/2\/2017\">http:\/\/www.bcb.gov.br\/pre\/normativos\/busca\/normativo.asp?numero=4557&amp;tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o&amp;data=23\/2\/2017<\/a><\/p>\n<p>Artigos anteriores \u2013 Gerenciamento de riscos no Banco Central<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/b3bee.com.br\/site\/2018\/01\/11\/resolucao-4-557-gestao-de-riscos-no-banco-central\/\">http:\/\/b3bee.com.br\/site\/2018\/01\/11\/resolucao-4-557-gestao-de-riscos-no-banco-central\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem praticado algum n\u00edvel de gest\u00e3o de risco? 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